Imagine que você está no centro de São Paulo, mais precisamente na região conhecida como Cracolância, em pleno domingo em fim de tarde. Loucura você deve dizer. Pois é, fizemos este passeio.

Já havíamos ido até o Jardim da Luz à passeio e acabamos constatando a degradação do centro velho da cidade.

Desta vez nossa missão foi ir à Sala São Paulo assistir ao Circuito Bachiano Banco Honda 2012 com a Filarmônica Bachiana do SESI-SP com a regência do maestro João Carlos Martins e a participação do Coral da Cidade de São Paulo.

Fomos de metrô até a estação da Luz e percorremos os quase 300 metros entre as estações à pé. Claro que ainda estava sol (eram 16h30). Mas por ser domingo, a região estava um tanto quanto deserta. Logo na saída da estação da Luz, uma menina acendia seu cachimbo sentada em uma das escadas da centenária estação. Bem em frente ao Jardim da Luz. Ao lado, a entrada do Museu da Língua Portuguesa com seus seguranças. Uma cena um tanto quanto degradante para um ser humano.

A prefeitura diz que acabou com a cracolândia, mas pelo visto apenas espalhou os usuários de craque para o restante do centro degradado da cidade.

O restante do caminho não presenciamos nenhum outro usuário de craque, mas mendigos e pessoas da classe Z da sociedade haviam vários. Ao chegarmos em frente à estação Júlio Prestes, víamos carros caros entrando no estacionamento do local. Seguranças trajando terno estavam em todas as entradas.

Na frente, um enorme tapete vermelho que começava lá na sarjeta e percorria a enorme calçada até as dependências da imponente estação. Tirando a movimentação existente exclusivamente na estação, o restante da região estava morta.

Inaugurada em 9 de julho de 1999, a Sala São Paulo representou o marco para o início da restauração de todo o centro velho. 13 anos se passaram, e a única coisa que se salva no local continua sendo a Sala São Paulo. O restante continua degradado e miserável.

A Estação Júlio Prestes

Inaugurada em 1932, a estação Júlio Prestes começou a ser construída nos tempos áreos da economia de São Paulo. Na época em que tudo crescia muito rapidamente. E somente foi concluída já na decadência do sistema cafeeiro do Brasil e do início do abandono do sistema ferroviário.

Projetada para distribuir o café através da ferrovia Sorocabana, a estação contava com plataformas de embarque e enormes salões, jardins e pilares em arquitetora francesa, estilo Luís XVI.

Com o declínio do uso do sistema ferroviário no Brasil, a estação passou por um quase abandono completo. Até passar para as mãos da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e que passou a utilizar a região da plataforma. O restante do prédio ficou abandonado até que em 1990 surgiu a ideia de transformar o prédio em uma sala musical.

A restauração teve início somente em 1997 e foi concluída apenas em 1999 com a inauguração da Sala São Paulo – que tinha como objetivo abrigar a OSESP – Orquestra Sinfônica de São Paulo.

A Sala São Paulo

Considera a mais moderna sala de concertos da América Latina foi construída em um dos grandes halls existentes na estação. Ao custo de R$ 44 milhões, a sala possui um teto modular regulável, onde cada módulo pode se ajustar de forma independente conforme o estilo das músicas a serem apresentadas (podendo deslizar para cima ou para baixo).

Entramos por um dos acessos e fomos recebidos em um grande hall que já mostra a arquitetura imponente do local. No teto uma enorme claraboia.

Na parte de cima das escadas exite um restaurante (que no dia estava fechado).

Subimos as escadas e fomos procurar nosso local. Ao entrarmos na sala nossas bocas se abriram. Com capacidade para mais de 1.400 pessoas sentadas, a sala é fantástica! Enorme e bonita. Cadeiras confortáveis e espaçosa.

No palco todos os pedestáis já estavam prontos e alguns instrumentos aguardavam o início do espetáculo. Nas cadeiras atrás do palco, o coral já se posicionava (aproximadamente de 200).

Sala lotada, orquestra posicionada (aproximadamente 80 músicos), avisos de segurança e entra o maestro João Carlos Martins. Silêncio absoluto (inacreditável). Inicia-se o espetáculo – e que espetáculo.

A acústica do local é realmente inacreditável. Não somos muito fãs de músicas clássicas, mas a 9ª Sinfonia de Beethoven foi de arrepiar. O coral de 200 vozes foi excelente – o coral é feito por voluntários e por isso merece ainda um crédito ainda maior por sua excelência.

Em determinado momento, o maestro pede que o piado seja trazido para o palco. O chão se abre e o piano sobe por debaixo do palco para finalizar (tocado pelo próprio maestro) com a música tema do filme Cine Paradiso.

Aplaudidos de pé. Maestro, orquestra e coral emocionaram a todos os presentes na fantástica Sala São Paulo para um fim de domingo muito especial (e sem Domingão do Faustão em nossas TVs).

Ficou com vontade de ir ver e conhecer este espetáculo? Então fique atento. Dia primeiro de maio (dia do trabalhador), estarão todos lá no Parque do Ibirapuera para um show contra as drogas.

Mas se quiser ir fazer um bem-bolado e conhecer também a Sala São Paulo, anote aí, pois este espetáculo irá ocorrer mais duas vezes apenas em São Paulo, nos dias 30 de junho e no dia 8 de setembro.

Moradores de Curitiba (dia 11 de agosto) e do Rio de Janeiro (sem data definida) também poderão contemplar a apresentação.

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3 Responses to Estação Júlio Prestes e a famosa Sala São Paulo

  1. marcella says:

    ola…
    estou doida pra ver Joao Carlos e procurando a agenda dela vi vcs no Google..
    mas acho que se enganaram quanto as datas futuras.. inclusive dia 30/jun ‘e um sabado sem apresentacoes na Sala
    http://www.osesp.art.br/portal/concertoseingressos/calendario.aspx?PreserveState=0&ano=2012&mes=5

    se tiverem mais infos adoraria saber!

    bjs.

  2. Fernando says:

    Boa Tarde Marcella,
    O evento que participamos era patrocinado pelo Banco Honda e no dia acho que eram somente convidados (ganhamos o ingresso pelo Catraca Livre), portanto não sei se era aberto ao público.
    No livreto promocional que ganhamos estava com essas datas como programadas. Realmente não encontrei no site e em nenhum outro local.
    De qualquer forma, é bom ficar atenta às notícias mais próximas da data para ter certeza, ou entrar em contato com a sala são paulo para mais informações.

    Abs.

  3. Vinícius says:

    Caro Fernando, ao se referir aos frequentadores da região como pertencentes à “classe Z” da sociedade, você corre o risco de ter seu discurso interpretado como elitista e discriminatório. O discurso do centro “degradado” também pode ser visto como alinhado ao projeto reacionário que vem sendo pensado para a área, que pretende gentrificá-la e torná-la uma atração cultural apra os mais ricos, sem dar o mínimo de atenção aos problemas sociais do lugar. Eu sugeriria cautela nas palavras escolhidas. Obrigado pelos comentários. Abs.

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